A União Europeia precisa de mais dinheiro próprio, garantiu esta quinta-feira o primeiro-ministro belga Alexander de Croo, em declarações ao jornal ‘POLITICO’, numa fase em que Bruxelas está a atingir os limites do que pode pedir de financiamento aos Governos nacionais.
A invasão da Ucrânia pela Rússia, o declínio de uma pandemia global e a guerra em curso de Israel em Gaza fez os cidadãos europeus olhar cada vez mais para a UE à procura de soluções estratégicas para questões globais, indicou De Croo.
A Bélgica assumiu o comando do Conselho da UE a 1 de janeiro último e os desafios são imensos. “Com todos os grandes desafios que enfrentamos, a população europeia, mesmo os mais eurocéticos, olha para a Europa para resolver esses desafios porque os países sozinhos não conseguem fazê-lo”, explicou. “Se se quiser atender essas ligações, teremos de reorganizar as prioridades, o que para nós inevitavelmente leva a uma discussão: de onde vem o dinheiro?”
A proposta do primeiro-ministro belga surgiu quando os líderes da UE negociam uma revisão do orçamento do bloco para 2021-2027, que inclui o financiamento para a Ucrânia. Os Estados-membros opuseram-se anteriormente ao pedido da Comissão Europeia de 66 mil milhões de euros para cobrir despesas imprevistas – na última reunião do Conselho Europeu, em dezembro último, o novo montante de financiamento foi reduzido para 21 mil milhões de euros para atrair os Estados-membros.
A UE dispõe atualmente de algum dinheiro próprio, principalmente proveniente das contribuições dos seus 27 Estados-membros e dos direitos aduaneiros sobre as importações de fora da União Europeia: em 2021, Bruxelas introduziu um imposto sobre o plástico à escala da UE, concebido para trazer cerca de 6 mil milhões por ano aos cofres de Berlaymont, a sede da Comissão, o que representou uma gota no oceano em comparação com o orçamento de 1.200 mil milhões de euros do bloco para 2021-2027.
A proposta de De Croo levantou a controversa possibilidade de serem cobrados mais impostos em todo o bloco antes das eleições europeias em junho, quando mais de 400 milhões de pessoas vão às urnas. No entanto, o liberal belga não especificou de onde viria a receita extra – seja de impostos europeus, outras medidas financeiras, contribuições de Estados-membros ou cortes nas rubricas orçamentais da EU.
Segundo De Croo, outra questão é a forma como a UE gasta o dinheiro – as duas maiores fatias da UE vão atualmente para a agricultura e para apoiar os Estados-membros com um PIB per capita mais baixo, conhecido como Fundo de Coesão. “A agricultura e a coesão não vão desaparecer, mas… outras coisas terão de ser acrescentadas, que é inevitável. No próximo orçamento terão a discussão: Quais são as prioridades europeias?”
Fonte: Executive Digest


