Nota de Abertura – Anuário 2019

50 Anos na defesa e promoção da Indústria de Alimentação Animal

Sinto um enorme orgulho e honra de ser o Presidente da IACA no momento em que a Associação comemora 50 anos de existência e partilho o meu sentimento relativamente ao que ela significa como exemplo no sector associativo.

Conheço outras associações empresariais, mas nenhuma tem o prestígio e o reconhecimento quer interno, pelos seus associados, quer externo, pelo diversos stakeholders, onde se incluem outras associações, federações e autoridades oficiais, tanto a nível nacional e como a nível europeu.

As razões são múltiplas mas aqui deixo algumas das mais relevantes: desde logo, o total mérito dos associados, que se prende com o seu envolvimento no dia a dia da associação e em todos os seus eventos, sejam proprietários, administradores ou técnicos das empresas associadas dando uma grande capacidade de decisão e de representatividade à Associação e aos seus Órgãos Sociais; o facto da produção conjunta dos associados representar mais de 80% da produção nacional de alimentos compostos para animais; um corpo técnico-administrativo de elevada qualidade e capacidade de trabalho, com um conhecimento profundo dos dossiers e das pessoas relevantes noutras organizações e Instituições, não podendo deixar de realçar o papel fundamental do Secretário-Geral da IACA, Jaime Piçarra; uma grande abertura e sentido de cooperação demonstrados pelas diversas autoridades, mas em especial pelos dirigentes e técnicos do Ministério da Agricultura, com destaque para a DGAV, o INIAV e o GPP, que representam, sem dúvida, um exemplo de como uma Administração Pública competente e de espírito aberto, contribui muito mais para encontrar soluções do que para criar problemas e entraves ao desenvolvimento da atividade económica em geral; uma situação financeira robusta que torna a IACA totalmente independente para poder afirmar a sua Estratégia, que passa pela defesa intransigente do Sector da Alimentação Animal, perante tudo e todos, sem quaisquer receios ou dependências; uma ligação muito forte à FEFAC – Federação Europeia dos Fabricantes de Alimentos Compostos para Animais, que se concretiza com a presença de membros da IACA nos seus diversos níveis e órgãos de decisão, colocando-nos assim mais próximos de Bruxelas, onde na realidade muitas das decisões que nos afetam são tomadas; uma Direcção forte, coesa e solidária, que pratica abertamente o contraditório, mas que assume todas as decisões como suas, sempre na defesa dos legítimos interesses do Sector.

No entanto, neste momento, mais do que falar do passado, que muito nos honra, importa projetar o seu futuro e tomar hoje as decisões que garantam os próximos 50 anos.

De facto, apesar da nossa História, se pretendemos continuar na vanguarda, teremos de enfrentar uma realidade em grande mudança, em que as ferramentas habituais não serão suficientes para vencermos todos os desafios que se nos colocam. Enfrentamos um ambiente de pressão sobre o sector agroalimentar em geral e a alimentação animal em particular, condicionado por dossiers sensíveis como o orçamento da UE pós-2020, a reforma da PAC, mas sobretudo pelas questões das alterações climáticas, o bem-estar animal e a resistência antimicrobiana; num contexto em que a Europa, por um lado, aposta e promove a inovação e a I&D, mas por outro lado, não é proactiva e pragmática nas questões da biotecnologia e recentemente das NBT, preferindo ignorar a ciência e permitindo opiniões baseadas em emoções, ignorância e desinformação. As redes sociais, as novas gerações e a forma como olham o mundo, a imagem negativa da produção de carne e dos produtos de origem animal, com base em notícias falsas e insuficientes ou inexistentes bases científicas, são sinais evidentes da necessidade de comunicarmos de outra forma e de recentrarmos o debate, tendo por base a eficiência da produção em termos de alimentos obtidos vs. recursos consumidos e não, se a produção é intensiva, extensiva ou biológica.

A Visão 2030 do nosso sector, já partilhada por todos, mas que nunca é demais recordar, assenta em três pilares: A Segurança Alimentar, a Nutrição Animal e a Sustentabilidade, e estas são, em conjunto com a necessidade de comunicar e sermos proactivos, as ferramentas que nos permitirão afirmar o novo papel da Alimentação Animal, de grande relevância em termos de eficiência e da mitigação dos impactos ambientais, que assegurem ao mesmo tempo a competitividade e a melhoria da imagem de toda a Fileira Animal.

Esta será certamente uma estratégia que nos permitirá enfrentar o futuro com mais otimismo, porque vamos ao encontro das exigências da Sociedade, sabendo assumir as nossas responsabilidades.

Temos que projetar os próximos 50 anos, e um dos dados mais importantes é de que o Planeta terra terá em 2050 cerca de 10 mil milhões de habitantes e teremos de ser capazes de produzir alimentos seguros e de forma sustentável para todos eles.

Certamente que a nossa Associação continuará a desempenhar um papel fundamental nesta caminhada.

Muitos parabéns à IACA e muito obrigado a todos os que com o seu esforço e dedicação tornaram esta Associação no que ela é hoje: uma referência no Sector Associativo a nível Nacional e Europeu!

José Romão Braz
Presidente da IACA