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PROJETOS E COLABORAÇÕES2020-10-09T10:45:13+00:00

FeedInov

APRESENTAÇÃO

O CoLAB FeedInov é um laboratório colaborativo que visa melhorar a segurança ao longo da cadeia alimentar, com impacto na segurança de produtos de origem animal, aumentando a confiança do consumidor na produção nacional e reforçando o papel da indústria de alimentação animal na produção de produtos saudáveis, sustentáveis e ecológicos.

A forma legal do CoLAB FeedInov é o de uma Associação de direito privado sem fins lucrativos, FeedInov – Associação para a Investigação e Inovação em Nutrição e Alimentação Animal, constituída a 26 de novembro de 2019.

O CoLAB FeedInov trabalhará com as empresas para refletir os seus interesses e prioridades, contribuindo para aumentar a competitividade do setor. Terá uma abrangência nacional para o desenvolvimento e disseminação do conhecimento, através da promoção de tecnologias inovadoras no setor industrial, da prospeção de necessidades da indústria, da implementação de processos de formação, da transferência de tecnologia e da promoção do empreendedorismo e do apoio à criação de negócios num ambiente com base tecnológica.

O CoLAB FeedInov gerará conhecimento e inovação impactantes para o setor (alinhados com a Agenda e o Plano de Ação de I&D propostos), que serão relevantes para a produção animal e de alimentos para animais. Como parte das suas atividades, envolver-se-á no desenvolvimento de grupos de trabalho com especialistas (de diferentes áreas de mercado/indústria e entidades ligadas ao sistema científico) da cadeia de valor da área da produção animal em geral e, da alimentação animal, em particular. O CoLAB FeedInov contribuirá ainda mais para uma economia baseada no conhecimento através da prestação de serviços às empresas, o que pode fortalecer a competitividade das mesmas no setor, e através do desenvolvimento de projetos colaborativos nacionais e internacionais envolvendo empresas com experiência e conhecimento específicos. Em relação aos serviços, o CoLAB prestará serviços técnicos e de investigação e desenvolvimento na área das cadeias da produção animal e alimentar (humana e animal) e a sua integração em sistemas de produção agrícola. Os projetos colaborativos implementados levarão ao desenvolvimento de resultados com potencial de mercado significativo e, finalmente, também aumentarão a competitividade e o crescimento das empresas. Como uma organização nova e única a trabalhar na área da alimentação animal, o CoLAB FeedInov assumirá um papel cada vez mais crucial, atuando como um centro para o desenvolvimento, agregação e disseminação de conhecimento que é de valor para todos os interessados, o que inclui pequenas, médias e grandes e centros de investigação espalhados por todo o país.

A estratégia e motivação do CoLAB FeedInov estão alinhadas com os diferentes desafios colocados ao setor agroalimentar, e que têm sido exigidos pelos diferentes operadores da cadeia de valor, originando simultaneamente oportunidades de exportação, nomeadamente:

  1. Análise das tendências no consumo de produtos de origem animal;
  2. Otimização da eficiência dos recursos nutricionais;
  3. Animais saudáveis para humanos saudáveis; e
  4. Produção Animal socialmente responsável do ponto de vista nutricional, com redução do respetivo impacto ambiental.

O plano de trabalho foi desenvolvido para responder a questões nucleares e desafios colocados ao setor agroalimentar e considerados como pilares do CoLAB FeedInov, nomeadamente:

Ação 1. Tendência no consumo de produtos de origem animal (cenários possíveis para 2030, 2040 e 2050);

Ação 2. Eficiência dos recursos (matérias-primas, novas fontes alimentares e dietas);

Ação 3. Qualidade e segurança dos produtos (substâncias antimicrobianas naturais e redução da resistência antimicrobiana);

Ação 4. Economia circular (coprodutos da indústria agroalimentar como matérias-primas para a alimentação animal);

Ação 5. Implementação de novos processos com vista à sustentabilidade, qualidade e segurança na indústria de alimentos para animais;

Ação 6. Desenvolvimento de tecnologias inteligentes e agricultura de precisão;

Ação 7. Transferência de conhecimento e disseminação.

O FeedInov prevê para o desenvolvimento do trabalho descrito, no período inicial de execução de 36 meses a contratação dos seguintes recursos humanos: 1 Diretor Geral para a Ciência e Inovação (PhD); 1 Coordenador de projetos (PhD) e 5 Técnicos de investigação (MSc), cada um com perfil adequado ao desenvolvimento de uma tarefa (T) específica, estando todos envolvidos na T1 de diagnóstico de consumo de proteína animal 2020-2050 e na T7 de transferência de conhecimento e divulgação.

O CoLAB FeedInov integra 19 instituições parceiras:

  • quatro instituições académicas:
    • Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa,
    • Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto,
    • Universidade de Évora,
    • Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro;
  • um instituto de investigação público:
    • INIAV
  • dois centros de investigação:
    • INESC TEC,
    • REQUIMTE;
  • uma associação setorial:
    • Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais;
  • onze empresas:
    • Allmicroalgae – Natural products, S.A.,
    • Avenal Petfood, S.A.,
    • Finançor Agroalimentar, S.A.,
    • Ingrediente Odissey, Lda.,
    • Racentro – Fábrica de Rações do Centro, S.A,
    • Raporal, S.A.,
    • Ricogado Nutrição, S.A.,
    • Sorgal –  Sociedade de Óleos e Rações, S.A.,
    • Tecnipec – Serviços Pecuários, S.A.;
    • TNA – Tecnologia e Nutrição Animal, S.A.,
    • Zoopan – Produtos Pecuários, S.A.

NOTÍCIAS

SANAS – ALT20

Este projecto é financiado por:

APRESENTAÇÃO

SANAS – ALT20: Estratégia para a Melhoria da Segurança Alimentar, Nutrição Animal e Sustentabilidade na alimentação animal na região do Alentejo

Este projeto tem por objetivo incutir mais conhecimento no setor, dotando-o de ferramentas mais sólidas para se tornar mais qualificado, mais competitivo e mais sustentável. Esse conhecimento é particularmente relevante numa região com forte expansão da atividade pecuária, e será alvo de diversos meios de disseminação a todos os agentes do setor.

A estratégia e a motivação deste projeto estão alinhadas com os vários desafios, doravante oportunidades, para o setor pecuário, que são sendo cada vez mais exigidos dentro da UE, mas também fornecendo oportunidades significativas de exportação da UE. Pode resumir-se em três tópicos principais:

  1. Otimização da eficiência dos recursos nutrientes,
  2. Animais saudáveis para humanos saudáveis e
  3. Pecuária socialmente responsável de uma perspetiva nutricional, reduzindo o impacto da pecuária no meio ambiente.

Foram identificados impactos em diferentes áreas: segurança alimentar, qualidade e sustentabilidade da produção de alimentos para animais, competitividade do setor e sustentabilidade ambiental.

Este projeto visa, assim, reforçar a segurança ao longo da cadeia alimentar, com impacto na segurança dos produtos de origem animal, aumentando a confiança dos consumidores na produção nacional e reforçando o papel da indústria de alimentos para animais na produção de produtos saudáveis, sustentáveis ​​e respeitadores do ambiente

A alimentação animal constitui o fator de custo mais importante das produções pecuárias, atingindo um peso de 86% na produção de frango em alguns países da UE. Em termos globais na UE, são utilizados na alimentação animal cerca de 480 milhões de toneladas de alimentos, dos quais 49% são forragens (233 milhões de tons), 11% cereais produzidos nas explorações (51 milhões), 8% matérias-primas adquiridas no mercado (38 milhões) e cerca de 33% alimentos compostos de produção industrial (158 milhões de toneladas).

A UE é extremamente dependente da importação de fontes proteicas para a alimentação sendo a produção de proteína na ordem dos 30%, pelo que a importação representa cerca de 70% da proteína utilizada na alimentação animal. Estes valores são ainda mais elevados, no caso de Portugal, tendo em conta a diminuta produção de oleaginosas, principalmente soja, da qual se extrai a principal fonte proteica utilizada em alimentação animal, o bagaço de soja.

Presentemente as obrigações legais a nível de controlos oficiais são insuficientes para as necessidades atuais relativamente à segurança alimentar ao longo da cadeia. A garantia da qualidade e segurança dos alimentos para animais consiste numa das prioridades da política europeia sobre segurança alimentar. A nível da União Europeia vários têm sido os casos de contaminação de matérias-primas oriundas de países terceiros e que, devido aos sistemas de controlo/segurança alimentar implementados, têm, na sua maioria, sido detetadas a tempo, evitando assim a disseminação de um problema e consequentemente, uma possível crise alimentar.

Uma crise alimentar representa não só custos elevados como a descredibilização do setor e, se no primeiro caso as consequências são gravosas para um setor já em crise, no segundo caso são desastrosas, podendo levar mais de uma década para recuperar. Um exemplo, é a crise da BSE (1996), cujos efeitos ainda hoje, passados 20 anos se fazem sentir. A provisão de alimentos seguros, nutritivos, de alta qualidade e acessíveis para os consumidores da Europa é o objetivo central da política da UE, que abrange todas as etapas da cadeia de abastecimento alimentar da UE, “do prado ao prato”. Os seus padrões e requisitos visam assegurar um alto nível de segurança alimentar e nutrição num mercado global eficiente, competitivo, sustentável e inovador.

É igualmente importante procurar fontes proteicas alternativas para a alimentação animal, nomeadamente proteaginosas, como o tremoço, a fava, o grão de bico ou a ervilha, de variedades que não são próprias para o consumo humano ou como forma de aproveitamento do que é rejeitado pela indústria alimentar humana. Outra possibilidade é a utilização de insetos ou outros invertebrados como fontes proteicas para a alimentação de monogástricos. Se tem sido uma aposta da indústria alimentar e do legislador melhorar a informação dos produtos no rótulo, permitindo ao consumidor fazer uma escolha mais consciente, no que diz respeito ao percurso dos bens alimentares até à prateleira do supermercado a informação é bem mais escassa. Torna-se importante dar a conhecer a realidade do setor, as obrigações legais a que está sujeito e de que forma todo o processo de produção de um bem alimentar, neste caso de origem animal, é produzido.

Regionalmente o Alentejo é a principal região pecuária do país, concentrando mais de metade dos ovinos, 49,8% dos suínos e 44,0% dos bovinos, representando 17821 explorações pecuárias (bovinos, ovinos, caprinos e suínos). Entre 2009 e 2016 observou-se o aumento do peso da produção de suínos no Alentejo em 5,4 p.p. (passou de 44,3% em 2009 para 49,8% em 2016), principalmente em detrimento do Centro, que perdeu 2,5 p.p. da importância a nível nacional. Em 2016 a população agrícola familiar tem maior expressão nas Regiões Autónomas e no Alentejo onde esta correspondia a 71 583 indivíduos. No mesmo ano, a maioria dos produtores declarou não ter formação profissional agrícola, desenvolvendo a sua atividade unicamente com a sua experiência (formação exclusivamente prática). Os produtores agrícolas singulares são maioritariamente homens e no Alentejo têm uma idade média de 66 anos.

Sabe-se também e indo ao encontro do que foi anteriormente referido, o investimento em conhecimento, novas tecnologias e desenvolvimento e inovação tem sido mais limitado na área agrícola do que noutras e em particular na região do Alentejo, sendo as espécies pecuárias com maior impacto nesta região do país, bovinos (carne), ovinos e caprinos, aquelas nas quais o investimento no conhecimento tem sido mais limitado. Sendo estas as produções típicas da região do Alentejo, existe a necessidade de um maior investimento no estudo e acompanhamento dos ciclos produtivos, com vista a uma maior transferência de conhecimento (muitas vezes existentes e limitado a centros de investigação, como as Universidades) e apoio técnico à produção conferindo um maior input para o desenvolvimento e inovação.

Os resultados e o impacto das ações descritas enfocam os seguintes pontos:

  1. Fornecer ferramentas para ajudar os operadores do mercado a realizar melhor a sua atividade, cumprindo a legislação existente e contribuindo de forma ainda mais positiva para garantir a segurança alimentar (manuais, códigos e guias), melhorando a saúde e o bem-estar animal, reduzindo o desperdício de alimentos, produtos e resíduos para o meio ambiente, indo ao encontro do conceito de “resíduo zero” e na perspetiva de uma “economia circular”.
  2. Incentivar boas práticas no setor e promover o desenvolvimento de produção de alimentos compostos de acordo com as exigências e necessidades do mercado europeu. Melhoria generalizada do setor com uma produção mais consciente e informada, com acesso a inovação e desenvolvimento na área de produção animal.
  3. Caracterização das matérias-primas usadas nos alimentos para animais e, assim, melhorar a eficiência da utilização de nutrientes e também contribuir para reduzir o desperdício de alimentos e, consequentemente, reduzir a emissão de resíduos e as emissões de gases de efeito estufa para o meio ambiente, incentivando a utilização de proteína sustentável e o conceito de alimentação de precisão. A obtenção de matérias-primas de maneira sustentável permite a economia de recursos, promovendo as melhores práticas de todos os operadores ao longo da cadeia alimentar, a fim de multiplicar seu impacto positivo.
  4. Promover o uso de fontes proteicas alternativas, em especial proteínas de leguminosas e insetos, a fim de reduzir a pressão sobre a utilização de outras fontes proteicas, potencialmente utilizadas para consumo humano, contribuindo para a melhoria do abastecimento do mercado.
  5. Divulgar informações, muitas vezes disponíveis para grandes indústrias e centros de pesquisa, contribuindo para uma maior disseminação de conhecimento para o setor.
  6. Valorização da produção agrícola portuguesa, gerando valor em toda a cadeia, promovendo o emprego e reforçando o papel deste setor no mundo rural. Sensibilizar e informar os produtores pecuários e os operadores do mercado de alimentos para animais para uma produção mais sustentável.
  7. Aumentar a competitividade do setor, permitindo-lhe enfrentar as crises contínuas, e competir com outros Estados Membros, tornando-o mais forte e permitindo a sua maior valorização económica.
  8. Melhorar a comunicação com os consumidores, a fim de aproximar o consumidor da produção, numa abordagem “do prado ao prato”.

Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais – IACA

NOTÍCIAS

GOEfluentes

Este projecto é financiado por:

APRESENTAÇÃO

GOEfluentes – Efluentes de pecuária: abordagem estratégica à valorização agronómica/energética dos fluxos gerados na atividade agropecuária

 A produção animal foi decisiva para a sustentabilidade dos sistemas agrícolas tradicionais não só pela utilização de alimentos que não competindo com a alimentação humana, são transformados em produto animal (carne ou leite), como também, pelo fornecimento de corretivos para o solo (estrumes) que reciclam cerca de 70% dos nutrientes que, não sendo digeridos, se perdem nos excreta. Porém, a intensificação destes sistemas, originou uma perda global de nutrientes a vários níveis: concorrência com a utilização de cereais para consumo humano, baixa eficiência digestiva por parte do animal, excesso de excreta e impacto ambiental negativo quando o maneio é inadequado ou quando se verifica uma descarga imprópria ou acidental de efluentes. Com elevadas concentrações de explorações em determinadas regiões, as limitações de áreas disponíveis para valorização dos resíduos na exploração são uma realidade.

Os conceitos de “economia circular” e “resíduo zero” estão na ordem do dia e assumem uma maior importância nos países Mediterrânicos pelas suas caraterísticas climáticas e geográficas: elevadas temperaturas durante o Verão com a previsão de um aumento médio por década de 0,5ºC; diminuição em cerca de 80% da precipitação e aumento da frequência e intensidade das secas; erosão e lixiviação dos nutrientes dos solos; solos no sul da Europa com valores de matéria orgânica muito baixos e que se perde rapidamente, devendo a sua qualidade ser melhorada. A toda esta problemática, associa-se o peso da legislação imposta pela EU (Diretivas Nitratos, Água, Teto de Emissões, etc.).

Considerando a importância económica, alimentar e ambiental do sector agropecuário e os desafios que este enfrenta, esta iniciativa conjunta envolvendo instituições relevantes do setor pretende criar oportunidades de implementação de soluções concretas para aumentar a eficiência da utilização de água e nutrientes, reduzir efeitos ambientais e valorizar o que até há pouco tempo era considerado desperdício.

A neutralidade carbónica da economia Portuguesa até 2050 é um dos objetivos assumidos pelo Pais (RN C2050). Ao setor agropecuário são colocados vários desafios ao nível do uso do solo, dos sistemas e tecnologias, da dieta alimentar, dos níveis de circularidade, e da internalização dos serviços dos ecossistemas, entre outros.

A iniciativa europeia FACCE-JPI considera, na sua agenda estratégica o crescimento ambientalmente sustentável, a intensificação da agricultura e a adaptação e a mitigação às alterações climáticas. Em Portugal as políticas de adaptação devem promover a resiliência do território e da economia, reduzindo as vulnerabilidades aos efeitos das alterações climáticas e tirando partido das oportunidades geradas (Compromisso de Crescimento Verde). O Quadro Estratégico para a Política Climática (QEPiC) (RCM 56/2015), contempla o PNAAC 2020/2030 e a segunda fase da ENAAC 2020, que concretizam as orientações para mitigação e adaptação às alterações climáticas e também o SNIERPA, cuja revisão (RCM 20/2015) criou um mecanismo de monitorização e de comunicação de informação sobre emissões de GEE. Para a agricultura considera a redução de emissões pelo ajustamento estrutural das explorações agrícolas e por melhorias de eficiência no uso de recursos e de energia. Indica como objetivo para os efluentes da pecuária, reduzir a intensidade carbónica do respetivo tratamento através de: i) sistemas de tratamento de efluentes mais eficientes (digestão anaeróbica com valorização energética do biogás associados a sistemas de tratamento complementares p. ex. compostagem; outras soluções de valorização mais eficientes e que considerem o fator transporte/distribuição; promoção da aplicação do Código de Boas Práticas Agrícolas e utilização dos referenciais oficiais para efeitos valorização agrícola); ii) Reforço da implementação do REAP; iii) Monitorização de GEE com vista à melhoria do desempenho ambiental do setor pecuário, recorrendo a metodologias compatibilizadas com o inventário de emissões e no âmbito do REAP (que dá prioridade à valorização agrícola dos resíduos de pecuária, com incorporação no solo de matéria orgânica).

No âmbito do Inventário Nacional de Emissões foi imposta uma revisão das estimativas de emissões (CH4, NH3 e N2O) relacionadas com a gestão de efluentes pecuários, associadas a bovinos, suínos e aves. Os fatores de emissão foram diferentes dos valores default nas IPCC 2006 Guidelines e no EMEP/EEA 2013 Guidebook. Haverá que compatibilizar os conceitos dos sistemas de gestão de efluentes e validar valores nacionais, com adequada caraterização destes sistemas e modo de produção das principais espécies pecuárias (condições e duração do período de estabulação/pastoreio, tipo de infraestruturas de armazenamento/tratamento, tempos de retenção/fases e tipo de destino final), para estimativas de emissão, corretas e consistentes, de GEE e outros poluentes atmosféricos, suportada por fontes de informação que se demonstrem mais apropriadas e robustas (Doc. GT do SNIERPA 2015).

Deverá haver oportunidades para soluções inovadoras (processos e produtos). A tecnologia de digestão anaeróbia (DA) é uma tecnologia madura, em particular utilizando chorumes como substrato, tem um registo vasto de implementações com sucesso em diferentes contextos internacionais, tendo vindo a sofrer evoluções tecnológicas no sentido de agregar valor em toda a cadeia, sendo uma tecnologia chave, acessível e determinante em contexto de economia circular. Contudo no plano nacional, a aplicação da DA em contexto rural, foi conduzida essencialmente nos anos 80-90, tendo como principal motivação a produção de energia renovável pela conversão (exclusiva) do biogás produzido em eletricidade. Apesar de ocorrerem atividades experimentais e demonstração pontuais, necessita de demonstração sistémica que permita eliminar barreiras e demonstrar a sua função na bio economia de um território. Esta iniciativa contribuirá para a introdução de sistemas descentralizados de DA com recurso à tecnologia de codigestão e para o suporte dos seus modelos de negócio.

A previsível implementação a curto prazo na UE da “Diretiva Ar”, diretiva que recebeu em 30 de junho de 2016 o acordo provisório do Conselho de Ministros e do Parlamento Europeu (http://www.consilium.europa.eu/en/press/press-releases/2016/06/30-air-quality/) e que tem por objetivo a redução da emissão de poluentes atmosféricos com vista à minimização dos riscos para a saúde e para o ambiente, introduzirá novas metas entre 2020 e 2029 na redução das emissões de amoníaco provenientes do sector animal. Neste sentido, urge definir as melhores soluções técnicas e socioeconómicas para o cumprimento daqueles objetivos, tendo em conta as condições ambientais e os sistemas de produção das explorações portuguesas intensivas de bovinos, suínos e aves.

A técnica de acidificação das dejeções ou de chorume tem vindo a sofrer grande desenvolvimento na última década e a sua utilização em conjunto com biochar alarga as possibilidades de redução de emissões de gases, nomeadamente do amoníaco. O biochar é um material obtido pelo aquecimento a elevadas temperaturas (300-1000ºC) de substratos orgânicos ricos em carbono, num processo conhecido por pirólise. O biochar é uma substância rica em C estável, de elevada porosidade e capacidade de troca iónica, capaz de persistir no solo por longos períodos de tempo (centenas de anos), sendo por isso considerado uma forma de sequestrar C e dessa forma contribuir para a mitigação das alterações climáticas.

Pelas suas propriedades, o biochar apresenta interesse para a adsorção de catiões, como o NH3, e outros elementos nutritivos contidos pelo chorume, retendo-os e disponibilizando-os depois progressivamente no solo. Nesse sentido, o biochar além do interesse da sua aplicação ao solo para o sequestro do carbono, aumento da retenção de água e retenção de nutrientes, pode ser utilizado no tratamento de efluentes animais, sendo os chorumes e os compostados um dos meios mais convenientes da sua adição aos solos, por reduzirem o inconveniente de libertação de poeiras associado à sua aplicação isolado ao solo

Deverá haver oportunidades para soluções inovadoras (processos e produtos). A utilização de insetos (larvas de Mosca Soldado Negro – BSF) na biodegradação de resíduos não é comum em Portugal, mas poderá constituir uma solução de futuro melhorando a eficiência e sustentabilidade do sector agropecuário. As larvas de BSF têm elevado índice de conversão alimentar e podem ser produzidas à base de resíduos agropecuários, que são convertidos num curto espaço de tempo, apresentam menor emissão de gases, menos humidade e são mais adequados à utilização direta nos solos como fertilizantes ou corretivos de solos (van Huis et al. 2013). As larvas poderão depois ser valorizadas energeticamente (biodiesel). Num modelo de economia circular, no sistema de fluxos gerados, os efluentes/estrumes são reintroduzidos no ciclo do carbono e na economia (recurso valorizado).

O GoEfluentes visa uma abordagem de valorização do recurso – efluente pecuário, focada nos diferentes interesses que convergem na produção e gestão adequada e integrada dos fluxos gerados nos sistemas agropecuários (sociais, políticos, económicos, técnicos e ambientais).

Em todas as fases associadas à gestão destes fluxos (produção, recolha, armazenamento, valorização e reutilização), o objetivo da valorização não será apenas evitar a sua eliminação, mas também reduzir a exploração de recursos naturais, e fechar o círculo, em consonância com os princípios da economia circular.

Definem-se como objetivos específicos:

  1. Desenvolvimento de uma metodologia para mapeamento da gestão dos fluxos gerados nos sistemas agropecuários, focada em informação descritiva, no desenvolvimento de relações entre os sistemas de produção e de gestão de efluentes e na legislações e constrangimentos à sua aplicação.
  2. Desenvolvimento de uma visão geral sistemática da gestão dos fluxos gerados nos sistemas agropecuários, visando estabelecer um padrão de previsão do cenário de produção e caraterização, a longo prazo, dos ecossistemas e das atividades pecuárias, em regiões específicas.
  3. Instalação de Unidades de Experimentação/ Demonstração que respondam a questões específicas de gestão/valorização de efluentes e ajudem os diferentes atores no cumprimento das imposições legais/normativos.
  4. Contributo para o Inventário Nacional de Emissões com dados nacionais específicos: monitorização, comunicação e verificação das emissões (CH4, NH3, N2O).
  5. Informação espacial, relativa aos sistemas de gestão de efluentes (armazenamento, tratamento, aplicação) necessárias para: sensibilização dos diferentes atores; estimativa precisa das emissões; benchmarking; identificação da região e de opções de mitigação específicas; abordagem uniforme em estudos de cenários.

O projeto integra 13 instituições parceiras:

  • três instituições académicas:
    • Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa,
    • Universidade de Évora,
    • Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro;
  • um instituto de investigação público:
    • INIAV
  • duas associações setoriais e uma federação:
    • Associação Portuguesa de Criadores de Raça Frísia,
    • Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais,
    • Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores
  • seis empresas:
    • Alirações – Rações para Animais, S.A.,
    • Ingrediente Odissey, Lda.,
    • Lusiaves – Indústria e Comércio Agro-Alimentar, S.A,
    • SIRO / Leal e Soares, Lda.,
    • TTerra – Engenharia e Ambiente, Lda.,
    • Valorgado – Agricultura e Pecuária, Lda.

NOTÍCIAS

Reunião

Reunião Montijo, 02 de dezembro de 2019 No dia [...]

Reunião

Reunião Fonte Boa, 14 de fevereiro de 2019 No [...]

COLABORAÇÕES

Descrição

O coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) é uma espécie basilar nos ecossistemas Mediterrânicos, sendo presa fundamental da maior parte dos predadores que ocorrem na Península Ibérica. É também uma das principais espécies cinegéticas no quadro venatório nacional e Ibérico, com relevante impacto nos sistemas sócio-económicos subjacentes à atividade cinegética.

A Doença Hemorrágica Viral dos Coelhos (DHV) afeta o coelho doméstico e o coelho-bravo, tendo sido identificada pela primeira vez em Portugal, no arquipélago da Madeira, em 1987. Esta doença tem elevada transmissibilidade e resistência no meio ambiente, tendo-se disseminado por todo o território nacional, sendo endémica nalgumas áreas. Em 2010, a emergência de um novo genótipo, designado RHDV2, perturbou o frágil equilíbrio existente entre as populações de coelhos selvagens e as estirpes clássicas de RHDV, tendo-se disseminado rapidamente nos países da Europa Ocidental, substituindo os genótipos clássicos anteriormente em circulação, e evidenciando a excelente capacidade do RHDV2 de contornar a imunidade natural das populações conferida pelo contacto com as estirpes clássicas. Enquanto as formas clássicas da DHV afetavam essencialmente indivíduos adultos, o RHDV2 veio também causar elevada mortalidade nos coelhos juvenis, limitando de forma importante o recrutamento de novos indivíduos para as populações.

Objetivos

No âmbito do projeto +COELHO preveem-se testes com alimentos compostos (palatabilidade, alimentos medicamentosos com desparasitantes, etc.), recolha de amostras em coelhos caçados e encontrados mortos para tipificação do vírus em circulação, ensaios de cercados de reprodução e adaptação, monitorizações populacionais, etc..

Nesta medida foi elaborada uma proposta de Plano de Ação que define estratégias de investigação e ações prioritárias específicas e que tem como objetivos finais inverter o processo de declínio continuado das populações de coelho-bravo, o qual resulta da emergência e circulação da nova variante do vírus da doença hemorrágica viral dos coelhos (doravante designada RHDV2), e repor o equilíbrio ecológico desejável.

Parceiros

O GT, designado +Coelho, é constituído por representantes de organizações governamentais e privadas, incluindo o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I. P. (INIAV, I. P.), que coordena, ICNF e DGAV e as Organizações do Setor da Caça (ANPC, Fencaça e CNCP), entre outras entidades nas quais se inclui a IACA.