ALIMENTOS MEDICAMENTOSOS E RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA – UM DESAFIO PARA A INDÚSTRIA

Decorreu no dia 27 Setembro, no Auditório da DGAV, Tapada da Ajuda, uma Conferência DGAV/IACA, sobre Alimentos Medicamentosos e Resistência Antimicrobiana, onde foi igualmente abordada a recente legislação europeia sobre contaminações cruzadas por substâncias ativas antimicrobianas.

A Conferência, cuja abertura foi realizada pela Sra. Diretora Geral da DGAV, Dra. Susana Pombo, e pelo Presidente da SPMA Eng. João Barreto, contou com a presença de vários responsáveis da DGAV, onde se abordou a implementação da PEMV no respeitante aos alimentos medicamentosos e a sua evolução (Dra. Inês Almeida), os procedimentos e requisitos de aprovação de fabricantes e distribuidores por grosso de alimentos medicamentosos (Dra. Ana Avelar), bem como a recente legislação europeia sobre níveis máximos específicos de contaminação cruzada (Dr. José Manuel Costa).

Foi igualmente apresentado o projecto HubRAM pela Dra. Andrea Cara D’Anjo que se destina a uma avaliação da evolução da resistência  antimicrobiana a nível nacional.

Fazendo um sumário da situação atual em Portugal e na Europa sobre o Uso de Antibióticos e de Alimentos Medicamentosos:

Overview Europa:

  • O total de consumo de antibióticos em 2021 nos 29 Países da EU/EEA corresponde a 8 059 toneladas, sendo 3 061 ton destinadas a Humanos e 4 994 ton destinadas a Animais. Significa que, em valor absoluto, o setor da Saúde Animal representou em 2021 o valor de 62% do total do consumo de antibióticos na Europa.
  • No entanto, quando considerando o total da biomassa estimada por espécie, verificamos o consumo em Humanos de 125 mg/Kg Biomassa (=PCU), versus um consumo de 92.6 mg/Kg Biomassa em
    Animais. Significa isto que, traduzido o consumo de Antibióticos por Biomassa, o setor Humano representa um consumo de cerca de 35% acima do consumo em Animais.
  • Quando agregados os números do consumo de antibióticos em mg/PCU em 2022 nos 31 países europeus, verificamos que cerca de 85% do total é administrado por via oral, sendo que a formulação por pré-mistura medicamentosa responsável por 15% do total.
  • Analisada a evolução do consumo de antibióticos por mg/PCU entre 2021-2022, verificamos uma forte redução da administração via pré-mistura medicamentosa, que reduz de cerca de 60 mg/PCU em 2011 para um valor abaixo de 15 mg/PCU em 2022.
  • No período 2011-2022, nos 22 países europeus que reportaram dados, verificou-se uma redução de 53% do consumo total de antibióticos em uso animal (de 161,2 mg/PCU para 75,8 mg/PCU).
  • Relembramos que o target europeu, de acordo com o Green Deal, seria reduzirmos na Europa 50% do consumo em Animais desde 2018 e atingirmos o valor de 59,2 mg/PCU em 2030.

Overview Portugal:

  • Em Portugal, tivemos uma redução no período 2010-2022 de 175,1 mg/PCU para 77,1 mg/PCU, sendo que em 2022 Portugal apresenta a maior redução nos 31 países europeus ao reduzir de 149,9 mg/PCU para 77,1 mg/PCU.
  • A Colistina, o único antibiótico crítico Classe B, utilizado via alimento medicamentoso em Portugal, reduz de 6,1 mg/PCU para 1,8 mg/PCU em 2022, abaixo da média europeia 2,1 mg/PCU.
  • Cerca de 40% do consumo total de Colistina em Animais de produção, foi veiculado em Portugal via Alimento Medicamentoso
    em 2022. […]

Rui Gabriel