Comemora-se no próximo dia 21 o Dia Internacional da Maçã.
Foi precisamente a maçã que caiu na cabeça de Isaac Newton que ajudou a reconhecer a lei da gravitação universal, formando assim a teoria da gravidade. E em relação ao seu valor nutricional? Já nos diz o provérbio inglês: “Uma maçã por dia mantém o médico distante”, mas será que é mesmo assim?
Sabemos que a maçã é uma aliada contra algumas doenças como a doença cardiovascular, certos tipos de cancro, diabetes e até mesmo asma, tendo mostrado a redução do risco de incidência a estas doenças. É um fruto bastante rico em compostos com capacidade antioxidante apesar de não apresentar as cores vivas de outros frutos que normalmente são apelidados como grandes fontes de antioxidantes, como é o caso dos frutos silvestres (mirtilo, amora, framboesa, cereja, morango, arando, groselha).
Apesar da maçã não ser das maiores fontes de vitamina C, a sua atividade antioxidante acaba por ser interessante, isto devido à presença de compostos fenólicos e flavonóides que são reconhecidos como grandes aliados na prevenção de inúmeras doenças, o que a torna uma excelente companhia nas nossas refeições.
Convém realçar que a maior parte destes compostos antioxidantes concentra-se na casca da maçã, ou seja, podemos dizer que ao descascar a maçã estamos a cometer um verdadeiro “crime nutricional”, pois a casca concentra cinco vezes mais destes compostos antioxidantes em relação à polpa. Se ainda assim optarmos por descascá-la, procure consumi-la logo de seguida, isto porque trata-se de um fruto que rapidamente se oxida (que se caracteriza pelo aparecimento da coloração escura). Uma forma de atrasar a oxidação passa pela utilização de um citrino (laranja ou limão, por exemplo) em que podemos adicionar umas gotas do sumo ou então combiná-la com esses frutos cítricos.
Em relação ao consumo da maçã com casca, há alguns cuidados que devemos ter de modo a garantirmos o seu consumo com segurança nomeadamente:
– Lavar devidamente as mãos antes e após a manipulação;
– Lavar bem a maçã em água corrente, sendo que podem ser utilizadas algumas gotas de sumo de limão ou vinagre, de modo a que a higienização seja mais eficiente;
– Procurar manter a superfície de preparação limpa bem como os utensílios de cozinha.
Quando comparamos as várias variedades de maçã, a reineta é a que apresenta um maior teor de fibra, vitamina C e atividade antioxidante. Outro aspeto a realçar na maçã, passa pelo seu teor em fibras solúveis que têm um papel importante na diminuição dos níveis de colesterol bem como na regulação da saciedade.
E qual é a sazonalidade da maçã?
No nosso país, a época da maçã vai desde janeiro a abril e a partir da 2ª quinzena de julho a dezembro. Portanto, é um fruto que podemos encontrar praticamente todo o ano e preferencialmente devemos optar pelo que é nosso, assim sendo devemos procurar comprar a maçã regional pois assim estaremos não só a ajudar a economia local como também a respeitar o meio ambiente e a garantir uma maior riqueza quer a nível nutricional quer a nível sensorial.
Como incluí-la na nossa alimentação?
Idealmente devemos preferir o seu consumo in natura e evitar consumi-la através de sumos, néctares, refrigerantes e sobremesas, uma vez que o teor de açúcar desses produtos alimentares acaba por “camuflar” os benefícios da maçã. Relativamente à maçã cozida ou assada, esta perde vitaminas e minerais importantes durante o processo de confeção, pelo que devemos dar preferência à maçã fresca. Para além disso, a exposição às temperaturas elevadas pode promover o desenvolvimento de produtos químicos instáveis a altas temperaturas como é o caso da acrilamida, como consequência das reações de Maillard. Se não for bem aceite, podemos fazer saladas de fruta ou as espetadas de fruta, tendo a maçã como protagonista.
Alison Karina de Jesus
Nutricionista (2874N)
SESARAM, EPE
Estratégia Regional de Promoção da Alimentação Saudável e Segura (ERPASS)
Fonte: DICAs (Região Autónoma da Madeira)


