O Governo pretende agora inverter esta tendência através de medidas que incluem a simplificação do licenciamento de infraestruturas hidráulicas, o reforço do armazenamento de água, a promoção de sementes certificadas e de genética nacional, a racionalização dos custos energéticos e a aposta em tecnologias digitais e de agricultura de precisão. Entre as prioridades destaca-se, também, a implementação de instrumentos de gestão de risco que ajudem os produtores a enfrentar fenómenos climáticos extremos, pragas e doenças, cada vez mais frequentes num cenário de alterações climáticas.
Responsáveis do Ministério da Agricultura sublinharam, durante a apresentação pública, que esta é uma estratégia “de soberania” e não apenas de competitividade, salientando que a segurança alimentar passou a estar no centro das agendas europeias e internacionais. O sumário executivo da Estratégia lembra, aliás, que entidades como a NATO já consideram o abastecimento alimentar como questão estratégica.
Outro eixo central da Estratégia +Cereais é o investimento no conhecimento e na inovação, reforçando o papel das organizações de produtores, promovendo a transferência tecnológica, e criando uma rede agrometeorológica nacional para aconselhar a rega e apoiar a tomada de decisão no terreno. A biotecnologia é igualmente apontada como ferramenta crítica para aumentar a produtividade com menor consumo de recursos, garantindo uma transição sustentável e resiliente.
A Estratégia reconhece que Portugal perdeu, nas últimas décadas, grande parte da sua área de cultivo de cereais, resultado da falta de competitividade face a culturas mais rentáveis e de sucessivos episódios de seca e intempéries. A nova abordagem pretende, por isso, criar condições estruturais que devolvam viabilidade económica aos produtores, reforcem a resiliência das explorações e promovam um mercado mais transparente, nomeadamente através da monitorização regular de stocks nacionais.
Com a aprovação deste plano, o Governo dá um passo considerado determinante para reduzir o défice agroalimentar – do qual os cereais representam mais de 20% – e reforçar a autonomia do país num cenário global desafiante, em que garantir a segurança alimentar deixou de ser apenas uma preocupação agrícola para se afirmar como prioridade estratégica nacional.
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Fonte: Rede Rural Nacional


