Dados divulgados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que “as previsões agrícolas, em 31 de julho, apontam para uma campanha cerealífera fortemente marcada pela seca severa a extrema que acompanhou grande parte do ciclo vegetativo dos cereais de inverno”.

A falta de água e temperaturas elevadas levam o INE a estimar que “a atual campanha deverá ser a segunda pior desde que existem registos sistemáticos, apenas superior à produção de 2012 e próxima da de 2005 (igualmente anos de secas extremas)”.

Também as culturas de batatas foram afetadas pela seca e pelo calor intenso, “verificando-se decréscimos de produtividade, bem como dificuldades de comercialização”.

As estimativas apontam que “a onda de calor, cujo pico ocorreu no período de 7 a 17 de julho, causou escaldões nas fruteiras, principalmente nas macieiras e pereiras, e também na vinha, culturas onde se preveem quebras de produtividade de, respetivamente, 15%, 30% e 10%, face à campanha anterior”.

Contudo, para a próxima primavera o cenário parece tão negro, “prevendo-se um aumento de 5% da área de milho e a manutenção da produtividade no arroz e tomate para a indústria, face ao ano anterior”.

Sobre a reservas de água no país, o INE revela que, a 31 de julho, “o volume de água armazenado nas principais albufeiras com aproveitamento hidroagrícola de Portugal continental encontrava-se a 59% da capacidade total, valor inferior ao registado no final do mês anterior (64%) e muito inferior ao valor médio de 1990/91 a 2020/21 (71%)”.

O nível de água nessas mesmas albufeiras no final do mês passado encontrava-se abaixo do nível registado durante a seca de 2012, quando a capacidade estava a 70%.

“A garantia das necessidades hídricas das culturas de primavera/verão e das culturas permanentes regadas, conjugada com as perdas por evaporação (potenciadas pelas altas temperaturas registadas), conduziu a uma diminuição generalizada nos níveis de armazenamento das albufeiras associadas a aproveitamentos hidroagrícolas”, elucida o INE.

Quanto à alimentação de animais, também a seca levantou, e continua a levantar, sérias dificuldades, pois a falta de chuva que se registou nos meses da primavera foi um dos principais fatores que afetou “o desenvolvimento vegetativo das pastagens e forragens, originando uma diminuição entre 20% a 80% na biomassa destinada à alimentação dos efetivos pecuários, sendo a maior quebra observada nos concelhos do Norte Alentejano e do Baixo Alentejo”.

Apesar do cenário agrícola preocupante, a “campanha do milho decorre com relativa normalidade”, algo que se observou igualmente nas culturas do arroz, com o INE a avançar que “as sementeiras do arroz decorreram com normalidade” e que “as germinações foram boas, apresentando as searas bom desenvolvimento vegetativo”, beneficiando esse cereal do tempo mais quente.

Fonte: Multinews