De acordo com o mais recente relatório Agricultural Outlook 2022-31, divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), esperam-se grandes desafios na próxima década para o setor agroalimentar, que irão trazer mudanças significativas. Em causa estão os impactos da crise climática e as consequências, económicas e de abastecimento alimentar, resultantes da Ofensiva russa na Ucrânia.

Os preços dos produtos agrícolas têm vindo a aumentar e não se espera que baixem tão cedo. Num cenário ainda em recuperação após o surgimento da pandemia da COVID-19, destacam-se também as mudanças no clima que colocam em causa a produção dos principais fornecedores, o aumento dos custos de produção e transporte, e as incertezas das exportações agrícolas da Ucrânia e da Rússia, ambos principais fornecedores de cereais – tendo ainda a Rússia um papel importante no mercado de fertilizantes.

Os dados sugerem que os preços do trigo podem aumentar em 19% face aos níveis registados na pré-guerra, caso a Ucrânia deixe de exportar cereais. Podem ainda aumentar 34% caso as exportações da Rússia sejam apenas 50% do normal. Além das mudanças nos preços, também a segurança alimentar será um problema: mais de 19 milhões de pessoas poderão tornar-se cronicamente desnutridas em 2023.

As conclusões do relatório sublinham o papel crucial de gastos públicos adicionais e dos investimentos privados na produção, na tecnologia de informação, nas infraestruturas e no capital humano, para aumentar a produtividade agrícola nos países. Estes devem estar alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, permitindo aos países responder ao aumento do consumo de alimentos e cumprir igualmente com as metas climáticas e com a redução das emissões de gases com efeito de estufa.

Fonte: Sapo