Há duas semanas assistimos ao início de um conflito inimaginável na Europa do século XXI. As reações de condenação por parte das maiores instituições políticas, económicas e sociais foram prontas. A União Europeia uniu esforços imediatos para apresentação de um novo conjunto de medidas em resposta à agressão militar russa contra a Ucrânia, que se multiplicaram, desde a ajuda humanitária às sanções diretas à Rússia.

Nos últimos meses de 2021, o contexto inflacionista já era gravoso e com grande impacto nas empresas da indústria agroalimentar, mas este mais recente episódio está já intensificar esta tendência, registando-se uma subida abrupta das matérias-primas agrícolas (particularmente, cereais e oleaginosas) e dos custos energéticos, assim como disrupções nas cadeias de transportes, no acesso a fertilizantes e a materiais de embalagem.

Se até agora a Comissão Europeia tinha no centro das prioridades para o futuro a construção de “sistemas alimentares sustentáveis”, através da implementação da Estratégia “Do Prado ao Prato”, é tempo de concretizar esta intenção agora que a cadeia alimentar europeia enfrenta já uma conjuntura absolutamente preocupante.

Evidentemente, as ações ao nível do impacto ambiental, da circularidade e da segurança dos géneros alimentícios não devem ficar de lado, mas perante este conflito é urgente que a UE redefina o conceito de sustentabilidade e o recentre na segurança alimentar, ou seja, na garantia do abastecimento.

A extrema coordenação e a rapidez demonstradas pelos Estados-Membros no enquadramento político devem ser refletidas também numa atuação pronta para mitigar os efeitos deste conflito na cadeia alimentar e antecipar uma possível escalada do seu impacto e dos potenciais reflexos negativos no acesso das populações a alimentos.

Fonte: FIPA