No início de outubro o mundo assistiu, quase com incredulidade, à falha nas redes sociais mais populares por um período de mais de seis horas. Eu, tal como a maioria das pessoas, não achava possível o que estava a acontecer, e a minha primeira reação foi reiniciar o telefone – obviamente o problema seria meu… Não era, de facto. Pela primeira vez o Facebook, o WhatsApp e outras redes sociais estavam em baixo!

Neste momento no mundo, e em Portugal também, estamos a viver um período em que a falta de produtos já começa a ser uma realidade. Situações que decorrem da adaptação das empresas à pandemia. Refiro apenas dois exemplos dos muitos que existem: as fábricas de automóveis não tem componentes para trabalhar e não há veículos para vender; os fabricantes de papel, que se adaptaram às necessidades dos clientes na pandemia, e começaram a produzir caixas para fast food em cartão, agora não produzem folhas, o que faz com que já haja falta de papel. Aliado a isto, um aumento de preços generalizado, nomeadamente da energia, dos combustíveis, dos fretes marítimos, etc.… Juntamos ainda um forte consumo de matérias-primas pela China e a também forte especulação, que nestes momentos se mostra com grande exuberância, e temos uma tempestade perfeita.

No caso da agricultura, e especialmente no caso dos cereais, Portugal depende em cerca de 90% de países terceiros (na UE apenas Malta tem uma situação pior que a nossa). A situação é particularmente grave no caso do trigo mole para o pão e do trigo duro para massas. Ou seja, o nosso grau de autoaprovisionamento não atinge os 10% pelo …

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José Pereira Palha
Agricultor
Presidente da direção da
ANPOC – Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais

Fonte: Agroportal