As proteínas ingeridas pelo ser humano são importantes para a estrutura, função e regulação das células, tecidos e órgãos do corpo. Cada proteína possui funções únicas e são componentes essenciais dos músculos, da pele, dos ossos e do corpo como um todo. São moléculas compostas por aminoácidos essenciais, os quais só podem ser obtidos através dos alimentos, pois o nosso organismo não os sintetiza.

A proteína animal fornece todos os aminoácidos essenciais, enquanto a proteína vegetal apenas os fornece parcialmente. As vitaminas são nutrientes indispensáveis à vida humana e não tendo o organismo capacidade de as sintetizar, há que assegurar a sua ingestão através da alimentação. Embora não forneçam energia, as vitaminas, estão envolvidas em variados processos metabólicos que asseguram a nossa vitalidade e energia diária.

O consumo de carne fornece ao organismo a vitamina B3 muito importante nas reações de produção de energia pelas células, a B6 que participa na formação dos glóbulos vermelhos e no funcionamento do sistema nervoso, a B7 muito importante no metabolismo dos açucares, gorduras e proteínas e B12 que contribui para a prevenção do aparecimento de anemias, na formação dos glóbulos vermelhos e para o correto funcionamento do sistema nervoso.

Também os minerais não são sintetizados pelo organismo, sendo assim também de grande importância a sua ingestão através da alimentação. Estes contribuem para a regulação da atividade e manutenção celular, facilitam o transporte de variadas substâncias e mantêm a atividade muscular e nervosa. A carne fornece ao organismo diversos minerais tais como: sódio, potássio, fósforo, ferro, flúor e selénio. O ferro é um mineral muito importante pois participa no transporte de oxigénio pelo sangue, como constituinte da hemoglobina.

As gorduras (lípidos) são os grandes fornecedores de energia. Transportam algumas vitaminas (A, D, E, K), protegem-nos do frio, constituem reservas de energia, entram na constituição de diversas estruturas e metabolitos celulares (como as hormonas) e protegem os órgãos vitais de agressões externas. As gorduras de que necessitamos são produzidas pelo organismo, mas também são obtidas da alimentação. Nos alimentos encontramo-las sob a forma de triglicerídeos que são constituídos por unidades mais pequenas – ácidos gordos e colesterol.

Através das carnes vermelhas, das peles de aves e dos produtos de salchicharia/charcutaria ingerimos ácidos gordos saturados e colesterol que fazem aumentar os níveis de colesterol no sangue, existindo assim a necessidade de um controlo da quantidade de carne ingerida, de forma a não se tornar prejudicial para a saúde. O colesterol por seu lado também faz parte da estrutura das membranas celulares e é necessário à formação dos ácidos da bílis, da vitamina D e das hormonas.

A carne é assim componente de uma dieta saudável, quando a sua qualidade é comprovada e o seu consumo se der de forma a reduzir riscos de doença, combatendo-se o excesso de ingestão de gordura. A roda dos alimentos Portuguesa e a pirâmide da dieta Mediterrânica indicam-nos formas de obtermos uma alimentação saudável, através de dietas que incluem a carne.

Em Portugal, a carne obtida dos suínos e das aves de capoeira é a mais consumida, com uma tendência de aumento de consumo no caso dos animais de capoeira. O consumo de carne de bovino é cerca de metade do consumo de carne de suíno ou de animais de capoeira.

A ASAE no controlo da carne no retalho

Com a missão de verificar o cumprimento da legislação como forma de garantir uma concorrência leal e, acima de tudo, como forma de assegurar a implementação de medidas preventivas que garantam a segurança dos alimentos e a proteção da saúde dos consumidores, a ASAE efetua colheitas de amostras de carne fresca e de preparados de carne. A Divisão de Riscos Alimentares da ASAE (DRA) elabora anualmente um Plano Nacional de Colheita de Amostras (PNCA) de produtos alimentares colocados no mercado, dando garantia de segurança aos consumidores, no consumo dos alimentos. As amostras colhidas são analisadas no Laboratório de Segurança Alimentar da ASAE (LSA).

A ASAE procede à avaliação destes resultados e assegura quando caso disso, a correspondente retirada do mercado dos produtos não conformes.

Informação retirada do artigo “Carne na alimentação humana – controlo de segurança”, de Bárbara Alfaiate e Manuela Sol, publicado na edição Riscos e Alimentos nº 20 – Alimentos em tempo de Covid-19 da ASAE.

Fonte: Tecnoalimentar