A consultora Nielsen identificou quatro padrões que “podem ajudar a prever” os fatores que vão pesar na decisão de compra no futuro. São eles a reconfigurações da cesta (basket reset), a conquista de peso do “do-it-yourself” (homebody reset), a mudança no racional de compra (rationale reset) e uma atenção acrescida relativamente ao valor dos produtos (affordability reset).

O responsável pela Intelligence Unit da Nielsen, Scott McKenzie, destaca que “as condições únicas originadas por uma pandemia que conduziu a uma recessão económica estão a forçar os consumidores a repensarem o modo como compram e o que compram” e frisa: “O ser humano conta, normalmente, com meses ou anos para se ajustar a novas condições. Mas este já não é o mundo em que vivemos. Perante as novas necessidades dos consumidores, as marcas devem ser altamente focadas e ágeis nas suas respostas”.

De acordo com a empresa, é expetável que os consumidores avaliem “cuidadosamente” os produtos que fazem parte da sua cesta de compras, considerando que estes, cada vez mais, se revelam “incapazes de manter o nível de despesas que se verificaram no pico da resposta à Covid-19”, reduzindo o leque de produtos identificado como “essencial” num ato de compra.

No que concerne ao do-it-yourself (DIY), uma iniciativa que apresentou um crescimento durante o período de confinamento em casa, será um hábito que se manterá no futuro, transformando também o comportamento de compra dos consumidores.

“Esta mudança no consumo em casa alinha-se perfeitamente com a transformação exigida ao ambiente de negócios atual. As marcas que conseguirem potenciar a descoberta e aprendizagem do comportamento DIY vão ser bem-sucedidas, alinhando-se ao interesse atual num consumo criativo, consciente e seguro”, revela a Nielsen, em comunicado, acrescentando que os consumidores se encontram disponíveis para trazer a experiência de um produto para a segurança das suas casas.

Partindo do atual clima económico e do aumento da taxa de desemprego, a consultora refere que os consumidores “podem ver-se com menos rendimentos”, sublinhando que 77% dos portugueses afirmam ter alterado os seus gastos de forma a poupar nas compras para a casa (contra apenas 66% dos europeus).

Face à redução dos gastos em refeições, viagens, entretenimento e vestuário, a Nielsen prevê que os bens de grande consumo passem a ganhar um novo significado e a “ser uma forma de preencher o vazio deixado por estas poupanças”.

A título de exemplo, a empresa indica que, numa família de constrained spenders, a compra de refeições refrigeradas pode substituir o que antes eram produtos de alimentação de preço mais elevado, ao mesmo tempo que os insulated spenders podem comprar uma bebida alcoólica premium para beberem em casa, ou expandir os seus produtos de cuidado pessoal como um substituto para as experiências de refeições fora de casa, ou viagens a que não têm agora acesso.

Neste sentido, avança que as marcas que procurarem reposicionar os seus produtos nesta nova realidade necessitam de “demonstrar empatia e reconhecer as alterações associadas a estes ‘luxos’ dos consumidores”.

“Caso consigam reconhecer e potenciar esta situação serão as que mais beneficiarão de consumidores em busca de conforto através de compras de FMCG [Fast-Moving Consumer Goods] de valor reduzido”, afirma a consultora.

No que concerne a “repensar o valor dos produtos”, tem-se verificado “reduções significativas” em termos de promoções, inclusive, em Portugal.

O responsável pela Intelligence Unit da Nielsen, Scott McKenzie, destaca: “Vemos, claramente, uma indicação de que a base promocional foi repensada, levando a uma enorme oportunidade para modificar o comportamento do consumidor em torno da acessibilidade aos produtos. A ausência recente de atividade promocional normal leva a um momento importante e histórico no qual as marcas poderão reequacionar a sua abordagem de forma mais eficiente”.

No atual ambiente de “enorme disrupção do consumo e de transformação de tendências”, a consultora aponta que “cabe às marcas e retalhistas continuarem a avaliar o valor percecionado que os consumidores atribuem a cada momento de compra”.

Sublinhando que o clima económico está a conduzir a enormes mudanças na perspetiva financeira dos consumidores, a Nielsen afirma que “as marcas e retalhistas que se mostrarem incapazes de oferecer produtos que se possam ajustar a uma disponibilidade financeira mais limitada e a sensibilidades acrescidas a respeito de preço podem perder tração a longo-prazo junto de consumidores essenciais para assegurar o seu negócio”.

Capacidade de antecipação, compreensão de uma nova realidade e reestruturação da oferta são referidas como características exigidas pelo “novo normal”.

Fonte: SayU Consulting