A estabilidade e previsibilidade no aprovisionamento de matérias-primas são condições essenciais para garantir a competitividade e sustentabilidade da Indústria da Alimentação Animal e da Fileira Pecuária.

No contexto atual de dificuldades a jusante, com baixos preços na produção, previsões relativamente pessimistas no curto prazo e consequentes quebras na procura de alimentos compostos para animais, arrastando naturalmente os aditivos e pré-misturas, a Indústria tem vindo a confrontar-se com problemas em algumas matérias-primas, quer de escassez ou de rateios.

Estas situações têm obrigado as empresas a alterações constantes nas formulações, com custos acrescidos, criando ainda maiores constrangimentos.

Assim, ao longo da semana, respondendo às preocupações dos Associados, a IACA contactou diversas fontes do mercado e Associações, designadamente a ACICO e a APPB sobre a atual conjuntura, tendo-nos sido referido que ao nível do milho não existe qualquer problema de aprovisionamento, com o mercado abastecido.

Na colza, as extratoras continuam paradas, mantendo-se o reduzido consumo de biodiesel e os elevados stocks de óleos, que não permitem que as empresas possam laborar sementes de colza. Pese embora estas limitações, fomos informados de que os fornecedores estão a diligenciar no sentido de serem cumpridos os contratos.

Perante estes factos, que não nos tranquilizam, enviámos hoje mesmo uma nova exposição ao Secretário de Estado Adjunto e da Energia João Galamba, com conhecimento ao Secretário de Estado Nuno Russo, bem como às Associações Pecuárias, ACICO e APPB com o seguinte teor:

Na sequência das exposições anteriores e na ausência de uma resposta da parte de Vossa Excelência, vimos informar que, infelizmente, a indústria de alimentos compostos para animais se vê confrontada com dificuldades de aprovisionamento de bagaços de colza, uma vez que as extratoras continuam paradas, não tendo sido possível o abastecimento do setor a partir da produção nacional.

Com esta instabilidade e imprevisibilidade, as empresas têm de alterar constantemente as suas fórmulas tendo em vista assegurar a adequada nutrição dos animais, com custos acrescidos, o que se reflete naturalmente nos preços dos alimentos compostos para animais.

Num contexto de grandes dificuldades ao nível da pecuária nacional, com baixos preços na produção, a manutenção desta situação poderá provocar encerramentos de empresas da alimentação animal e de explorações pecuárias, pondo em causa a competitividade e sustentabilidade de toda a Fileira. 

Fazemos, pois, mais um apelo a Vossa Excelência para que tenha em conta as propostas que temos vindo a apresentar e nos informe do ponto de situação relativamente à revisão do Decreto-Lei nº 117/2010, de 25 de outubro, tendo em vista a incorporação mínima de 6,75%, pela urgência da sua implementação, com o fim do Despacho que vigorou durante o Estado de Emergência.

Nesta perspetiva, solicitamos a Vossa Excelência uma audiência com carácter urgente.”

Fonte: IACA