O surto de coronavírus trouxe desafios sem precedentes para o setor agroalimentar da União Europeia. O setor está a adaptar-se às novas circunstâncias, que incluem interrupções logísticas e procura em rápida evolução. Esta adaptação têm vindo a demonstrar-se eficiente e conta com o apoio da Comissão Europeia.

Devido às medidas de isolamento implementadas na UE e em todo o mundo, a procura por alimentos tem vindo a alterar-se e os produtores alimentares ora são afetados pela procura em excesso, ou pelo encerramento do canal HORECA. Por um lado, alimentos básicos como massas, arroz, farinha, frutas e legumes enlatados têm sido mais procurados, beneficiando-se da mudança para o consumo doméstico. Por outro lado, produtos de alto valor, como cortes de carne de qualidade, vinho e queijos especiais – consumidos significativamente no exterior – estão a registar uma queda significativa no consumo.

O último relatório de perspetivas de curto prazo para os mercados agrícolas da UE, publicado a 20 de abril pela Comissão Europeia, apresenta uma visão geral mais detalhada das últimas tendências e perspetivas para cada setor agroalimentar.

O setor da carne

A produção de carne bovina da UE diminuiu em 2019 devido a preços mais baixos e reduções de rebanho. Deve diminuir ainda mais em 2020 devido a fatores semelhantes. O surto de coronavírus está a afetar o setor, principalmente por causa de cortes de alto valor não serem vendidos para restaurantes ou departamentos de talho em supermercados. Uma menor procura e menor disponibilidade de carne vão resultar em uma redução adicional no consumo aparente da UE.

A produção de aves continuou a crescer em 2019, graças ao aumento da procura. Espera-se que um aumento na produção continue em 2020, muito devido aos consumidores que substituem carnes caras por aves. No entanto, o setor ainda será impactado pelo encerramento de restaurantes para certas variedades, como patos ou pombos.

A produção de carne de suíno deve crescer um pouco este ano, com a procura sustentada da Ásia, devido aos impactos da peste suína africana, especialmente na China. As exportações da UE devem crescer 12%, após um aumento de 17% em 2019. O setor não deve ser significativamente afetado pela pandemia em curso. No entanto, o consumo da UE deverá cair devido aos altos preços, levando a favorecer outras carnes.

O setor de carne ovina e caprina da UE foi afetado pela crise do coronavírus, com a procura sazonal de Páscoa e Ramadão a não se materializar. A produção da UE deve, no entanto, permanecer estável em 2020.

Fonte: Revista Tecnoalimentar