O novo coronavírus Covid-19 veio mudar os hábitos dos portugueses e da população mundial. A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou pandemia de Covid-19 nesta quarta-feira, 11 de Março.

Os casos de infectados alastram. Hoje, 16 de Março, as autoridades portuguesas dão como certos 331 infectados em território nacional e anunciaram o primeiro morto devido a este novo coronavírus.

A maioria das empresas, que o pode fazer, optou pelo teletrabalho. As escolas estão fechadas e a maioria dos serviços autárquicos também. O País está a parar.

Os portugueses estão com medo. Correm aos supermercados e levam tudo o que podem, com relevância para o papel higiénico e os enlatados.

Em vários supermercados há prateleiras vazias. Muitas. Mas…

As prateleiras de produtos frescos, frutas e legumes, carne e peixe, continuam como se nada se passasse.

Sim. Os agricultores também merecem uma grande salva de palmas nas janelas de Portugal, tal como os profissionais de saúde. Tal como toda a indústria agroalimentar e as cadeias de retalho que recebem todos estes produtos nas suas prateleiras.

A actividade agrícola não parou, apesar do vírus. A fruta e os hortícolas continuam a “nascer”, a ser apanhados e a serem encaminhados para a cadeia alimentar, chegando aos supermercados.

Após mais de um ano de “guerra acérrima” contra os agricultores e os produtores pecuários, sim, o sector merece mesmo uma grande salva de palmas, nas janelas e varandas de Portugal. São eles que nos alimentam. Mesmo em tempo de pandemia. A Agricultura não pára.

Culturas super-intensivas?

Nestes, muitos, últimos meses, têm sido muito os activistas animalistas e ambientalistas, assim como partidos políticos, a criticarem a produção em sebe, a que chamam de “super-intensiva”, e a criação intensiva de animais para alimentação.

Queixam-se, eles, de que as vacas produzem gases com efeito de estufa. Esquecem-se que a maioria dos produtores pecuários portugueses criam as suas vacas em sistema extensivo, ao ar livre, e que esses mesmos produtores criam os seus animais no meio da floresta que eles próprios sustentam. Floresta essa que elimina os tais gases, com a produção de oxigénio.

Queixam-se esses activistas de que as culturas “super-intensivas” de olival e mesmo amendoal são “assassinas” do ambiente. Mas, talvez não saibam que a empresa que mais produz azeite em sistema “super-intensivo” (produção em sebe), só tem cultura biológica. Vende toda a produção para o estrangeiro.

A verdade é: a produção “super-intensiva” é que nos alimenta.

No meio desta pandemia, desta crise, os agricultores, e todos os seus funcionários, continuam a acordar antes do Sol nascer para que todos os portugueses tenham comida em casa.

Obrigado.

Carlos Caldeira

Director do Agricultura e Mar Actual

Fonte: Agricultura e Mar Actual