A Direcção Regional de Agricultura do Algarve pede, como medida compensatória dos prejuízos, a reabilitação de velhos edifícios para criar um museu e um Centro de Interpretação da Dieta Mediterrânica.

A maior colecção de árvores de fruto, reunida no Centro de Experimentação Agrária de Tavira (CEAT), vai ser atravessada por uma estrada segundo um projeto da Infra-estruturas de Portugal (IP). A cidade está em crescimento para cima da Reserva Agrícola Nacional (RAN) e a nova via – destinada a eliminar uma passagem nível – é apenas mais um corte numa propriedade com cerca de 29 hectares. O assunto motivou a criação de Movimento em Defesa do CEAT que se opõe ao urbanismo galopante.

A indignação surgiu depois de conhecido o projeto e depressa começaram a levantar-se vozes a garantir que a estrada vai pôr em causa uma coleção de árvores de fruto única no país. No Centro de Experimentação Agrária de Tavira existe um património genético de árvores autóctones da região.

Só de amendoeiras há 120 variedades diferentes. Mas também 280 castas de videiras ou 97 espécies de figueiras, entre outras qualidades.

Quando se percebeu que a estrada iria cortar aquela zona que tem 29 hectares, foi criado na cidade o Movimento para Defender o Centro de Experimentação Agrária (CEA) de Tavira. Rui Amores, porta-voz deste movimento, considera que as entidades que teriam responsabilidade de escolher o traçado, a Infraestruturas de Portugal (IP) e a Câmara Municipal de Tavira, tiveram duas escolhas e “foi escolhida a pior hipótese”, que vai cortar e danificar as espécies.

Durante a fase de consulta pública do EIA , que terminou no dia 17 de Janeiro, a Direcção Regional de Agricultura e Pescas (DRAP) não se pronunciou contra a obra. Apenas apresentou um conjunto de medidas de compensação e minimização, que passarão pela recuperação dos edifícios existentes, que estão bastante degradados, para lhes conferir uma nova utilidade. Nesse contexto, o antigo Posto Agrário de Tavira, para onde está previsto há quase duas décadas um museu, está na lista dos imóveis a reabilitar. Por outro lado, defende ainda a DRAP, o sistema de rega tem de ser substituído. A criação de um Centro de Interpretação da Dieta Mediterrânea e uma Quinta de Ciência Viva são mais dois equipamentos reivindicados pelo Ministério da Agricultura à IP como medidas compensatórias pelos prejuízos causados.

Do lado norte da via, que irá ter 600 metros de comprimento e 20 de largura, fica uma parcela de solo agrícola com cerca de dois hectares. Num futuro próximo, o espaço passará a urbano e é nesse espaço que está previsto construir o novo Terminal da Rodoviária. De resto, já existem antecedentes. Os antigos armazéns da Quimigal, que faziam parte integrante do CEAT, foram vendidos para dar lugar a uma superfície comercial – o LIDL

Fonte: Voz do Campo