O acordo entre o Mercosul e a União Europeia, assinado na passada sexta-feira, 28 de Junho, foi considerado por muitos agricultores europeus uma ameaça para a sua actividade agrícola, razão pela qual, assim que o acordo foi anunciado, mensagens de alerta e comunicados críticos começaram a aparecer.

A Fenapecuária — Federação Nacional das Cooperativas de Produtores Pecuários, em “defesa da pecuária nacional, demonstra-se profundamente preocupada com as concessões feitas no capítulo agrícola com o Mercosul, especialmente em relação às concessões no sector da carne”.

Acordo “demasiado penalizador”

Para o presidente da Fenapecuária, Idalino Leão, “o que está em cima da mesa neste acordo entre a UE e o Mercosul é demasiado penalizador para toda a fileira da pecuária a nível Europeu. Se nada for alterado, estamos a falar de concorrência desleal, pois não competimos com as mesmas regras quanto à forma de produzir. A ideia que o acordo veicula é a de que os países europeus estão a oferecer a agricultura, o sector pecuário em particular, como moeda de troca de eventuais interesses em outras áreas industriais”.

Para a Fenapecuária, a pecuária nacional tem feito um “enorme esforço para se reajustar, para se modernizar e para ser mais competitiva”.

Refere a Federação em comunicado que “é um sector que cuida e acautela o bem-estar animal, é um sector que cuida do ambiente, que contribuiu não só de forma efectiva para o PIB nacional, mas também para a fixação da população aos territórios, bem como para a manutenção da flora e fauna autóctones gerando os necessários equilíbrios ambientais”.

Ajuda política

Por tudo o que o sector pecuário representa para o País, e pela forma como este acordo “tem vindo a ser cozinhado, a pecuária nacional merece ser acarinhada e defendida pelo poder político, na Assembleia da República, onde este acordo terá ainda que ser aprovado”, dizem aqueles produtores.

A direcção da Fenapecuária propõe que sejam adoptadas medidas que defendam e promovam a produção nacional e, por conseguinte, a segurança alimentar e o bem-estar dos consumidores.

Em defesa do ambiente e da sustentabilidade, a Fenapecuária propõe ainda que, por exemplo, as cantinas públicas privilegiem na aquisição dos seus produtos agrícolas variáveis como a rastreabilidade, a sazonalidade e a distância a que são produzidos e consumidos os bens alimentares.

Medidas urgentes

Os produtores pecuários dizem ser “urgente que se criem medidas que mitiguem as consequências negativas que advirão deste acordo para a pecuária nacional e para os consumidores em geral”.

A Federação dispõe-se a “contribuir e a colaborar com o Governo para o que melhor for a defesa da produção pecuária nacional e segurança alimentar dos cidadãos”.

“Este acordo é demasiado sério e comprometedor para o País e deve ser promovido o seu esclarecimento junto dos envolvidos, desde a produção aos consumidores. Trata-se de uma tarefa que seguramente cumpre a todos, responsabilidade à qual o Governo não deve passar ao lado”, conclui Idalino Leão.

Fonte: Agricultura e Mar Actual