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[ 18-10-2013] Melhores Perspetivas para 2014?

Infelizmente, o ano de 2013 parece confirmar as piores perspetivas para a indústria de alimentação animal em Portugal, contrariamente às tendências que se desenham noutros países. 

Condicionados por um programa de ajustamento e assistência financeira, temos assistido a quebras importantes no acesso ao crédito por parte das empresas, no investimento, no emprego e no rendimento das famílias, com consequências na perda de poder de compra que tem afetado o consumo de bens essenciais como são os alimentares. A carga fiscal tem atingido níveis praticamente insustentáveis para as empresas e Portugal tem empobrecido claramente. Parece evidente que tem de existir um limite para a austeridade, sendo necessário uma política que promova o crescimento e o emprego e um desenvolvimento sustentável.   

Neste contexto, por si só já difícil, os preços das principais matérias-primas têm mantido uma tendência altista, com os mercados a serem caracterizados pela volatilidade e incerteza, apesar das perspetivas favoráveis ao nível da produção de cereais e de soja nos mercados mundiais. Os reduzidos stocks e a procura em alta da parte de alguns países chave a nível mundial, permitem antever a continuidade de preços relativamente tensos no curto e médio prazo, com consequências negativas ao nível dos custos da alimentação animal.

Para as empresas, a volatilidade e a alta de preços implicam maiores necessidades de tesouraria e de fundo de maneio. Dada a escassez de crédito e com prazos de recebimento cada vez mais dilatados, as empresas vivem situações de asfixia financeira, que põem em risco a sua sobrevivência.

Para além dos problemas a montante do Setor, o funcionamento desequilibrado da cadeia alimentar, designadamente a relação entre a produção, a indústria e a grande distribuição, não tem permitido repassar o acréscimo de custos para o consumidor final, conduzindo a problemas de viabilidade económica em muitas explorações pecuárias e unidades fabris.

Acresce a tudo isto, as exigências que são colocadas ao nível das regras de ambiente, segurança alimentar e bem-estar animal, nos últimos dois anos, às galinhas poedeiras e aos suínos, que contribuem para onerar os custos de produção em Portugal e na União Europeia, quando comparados com o que acontece nos Países Terceiros e concorrentes diretos nas exportações de produtos animais.  

A Fileira Pecuária e de uma forma geral, o agroalimentar, são essenciais para a criação de riqueza, de emprego, de inovação com a agricultura, manutenção da paisagem e da vitalidade das zonas rurais, que não têm grandes alternativas de desenvolvimento económico e social. E sobretudo para reduzir a nossa dependência alimentar, equilibrando a balança comercial.

Portugal tem potencial para aumentar a produção de matérias-primas e de produtos animais e capacidade para inverter as tendências do passado recente.  Sendo certo que a conjuntura continuará a ser difícil, é preciso não esquecer de que necessitamos de políticas públicas que promovam a produção e consumo de produtos nacionais, de menos burocracia, mais crédito, flexibilidade no licenciamento, sobretudo ao nível do REAP e constrangimentos ambientais e que a Pecuária seja considerada, uma atividade prioritária para Portugal, no próximo Quadro Comunitário de Apoio.

Com maior cumplicidade da Administração Pública e capacidade de organização da Fileira, seguramente que os empresários do Setor serão capazes de ultrapassar os difíceis desafios que temos pela frente. E de acreditar que 2014 pode ser um ano de viragem!   

Cristina de Sousa


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