* Artigos de Opinião


2010 |
[ 30-06-2009] 40 Anos de Associativismo da Indústria
Fazer quarenta anos é um marco. É-o na idade de todos nós e é-o, com mais razão, na existência de uma Associação. São 40 anos de dedicação à indústria dos alimentos compostos e de cometimento a um objectivo de defender as suas empresas perante o Estado (a maioria das vezes ausente ou pior!), os parceiros sociais e todos aqueles que, fruto de uma impunidade inimaginável, vão distorcendo a concorrência.

Por uma questão matemática, elementar, a IACA terá nascido no ano 1969. Nasceu certamente como um Grémio para, em 1975, se transformar numa Associação. Não me lembro do nascimento ... mas vivi intimamente ligado a ela (IACA) desde os seus infantis 3 anos. Ainda hoje, 37 anos volvidos, continuo a sentir o seu pulsar, a atendê-la nos seus pedidos e a ampará-la nos seus momentos menos bons. Não o faço por caridade ou show-of ... faço-o pelo fascínio que ela exerce sobre mim.       

Penso que, na IACA, fui tudo quanto um associado pode ambicionar ser. Dediquei-lhe, com enorme prazer, toda a minha energia. Posso, por isso, contar a história. Tive momentos gratificantes de êxito e tive momentos frustrantes e de enorme revolta. Em todos eles assumi, dentro das minhas capacidades, as responsabilidades que entendi pertencerem-me.

A Revolução dos Cravos com todas as contradições, ambiguidades e injustiças que lhe estiveram associadas trouxe para a ribalta os CCT e a sua negociação com Sindicatos, fortemente politizados e exigentes. Lembro, com alguma emoção, a maratona de preparação para a negociação do primeiro CCT, fechado na Estalagem do Luso, na companhia do então Dr. Germano Marques da Silva e do meu saudoso amigo Nuno Carneiro, bem como as intermináveis reuniões com o Sindicato dos Químicos do Norte, na Associação do Arroz. Ainda hoje, o que resta dessa fúria do controle indiscriminado dos meios de produção, serve de base a negociações intemporais, irracionais e destituídas de bases credíveis. A IACA sempre respondeu a todos os excessos com saber, clarividência e acertado sentido do dever.      

O controle "virtual" dos preços das matérias-primas, as quotas e margens comerciais foram outros tantos assuntos que houve que viver nos já, felizmente longínquos, execrandos tempos de um pós-PREC de intolerância e corrupção desenfreada. Era a altura das reuniões no Ministério da Agricultura, para discutir tudo e nada, que começavam às 9 horas da noite para acabarem já pela manhã. Desse tempo recordo ainda as visitas quase "diárias" à Direcção Geral da Concorrência e Preços e das patéticas reuniões com a Drª Teresa Ricou. No seu combate, por vezes quixotesco, a IACA nunca abandonou os seus associados. Norteou sempre a sua actuação pela dignificação da profissão e pela procura incessante da justiça e vem-me à mente os tempos dos rateios dos cereais e dos preços estatais impostos pela EPAC e os preços marcados para as oleaginosas, que afinal eram ilegais, pois nunca haviam sido nacionalizadas. Eram tempos que agora poderemos apelidar de gargalhada, tal a incompetência das entidades ditas de regulação.

Mas a IACA esteve sempre atenta à evolução das necessidades e, em cada momento, soube responder adaptando-se, através de alterações dos estatutos que pareceram as mais adequadas para o futuro da associação e, acima de tudo, mais condizentes com os tempos que se iam vivendo e os anseios que os associados entendiam como essenciais para o seu bom e harmonioso funcionamento. Estar permanentemente antes do tempo é um princípio essencial da gestão pró-activa que se deve implementar.

A adesão da IACA à FEFAC, como membro observador em 1971,  foi um passo de antecipação que foi dado. Esse passo ficará para sempre ligado à personalidade impar do Dr. Carlos Lebre. Foi um perceber dos sinais e o abrirmo-nos a uma realidade emergente que se concretizaria com a adesão de Portugal, como elemento de pleno direito, à União Europeia. O espírito empreendedor dos elementos da Direcção "destacados" para a FEFAC permitiu que se abrissem caminhos à modernidade, à dinâmica e ao conhecimento técnico, fruto de um intenso intercâmbio de ideias e de um diálogo sempre presente nas relações com os nossos parceiros. Não posso ignorar os dois Congressos da FEFAC que a IACA organizou no Estoril e Porto ... e com que êxito!

A nossa entrada para a UE acabou por trazer novas regras de funcionamento das empresas, mais exigentes quanto a critérios de segurança e higiene alimentares. Trouxe também a procura das certificações com todo um "calvário" de papelada e trabalho incompreendido. Trouxe ainda o Código de Boas Práticas no fabrico dos alimentos compostos e pré-misturas, uma espécie de "Bíblia" dos responsáveis pelo fabrico das rações. Coincide este período com o aparecimento das matérias primas geneticamente modificadas, com o cortejo de incompreensões mais ou menos filosóficas e de ataques de "terrorismo verde" por parte do chamados ecologistas. A IACA soube enfrentar todas as vicissitudes com a humildade, o profissionalismo e a verticalidade das grandes instituições. Foi, finalmente, esta forma de estar na vida que granjeou à IACA a admiração e o respeito com que é olhada interna e internacionalmente.  

Tudo marcos de uma história de 40 anos de sucesso.

Parabéns à IACA.    

 

Pedro Corrêa de Barros - Presidente da FEFAC

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